Para Hugo, que me contou um dos sonhos mais lindos que eu já ouvi.
Eu já disse que adoro conhecer as pessoas a fundo? Para mim, existem poucas coisas tão gratificantes do que manter uma relação profunda com alguém, daquela que você segura na mão e ouve as tristezas, os medos. Eu também já chorei junto e sei o quanto a dor é mais suportável quando compartilhada.Assim como meus olhos encheram de lágrimas só por ver alguém que eu gostava afundado no medo e na desesperança. Por gostar tanto de mergulhar nas pessoas, é que eu pergunto quais os maiores sonhos e as maiores tristezas de cada uma. Porém o primeiro é sempre muito melhor. Os sonhos de alguém são o que ele é, sem desejos ninguém existe. Uma vez a professora de filosofia me contou que segundo um pensador (Sartre, eu acho) nossa vida não tem sentido nenhum, e que precisamos criá-lo. Viver é absurdo, morrer é absurdo, e a única maneira de fazer qualquer coisa valer a pena é sonhando. Poderia entrar aqui no mérito de que só isso não basta, também precisamos agir, mas isso é assunto pra outro texto. Mas se você tem o sonho e a determinação, meu amigo, você está feito.
Aprendi recentemente que quando queremos fazer coisas grandes, nem que seja na vida de alguém, precisamos enfrentar críticas, e saber filtrá-las, escolher o melhor de cada uma. Isso é maturidade, isso é autocrítica, e também é muita coragem. Pois só os audaciosos tem coragem de traçar um plano A, um B e um C para alcançar o que se quer, e se nenhum deles dá certo, cria ainda um D, mesmo dando uma volta maior. Também sabe a hora certa de abandonar alguma coisa, para construir um novo sonho, pois às vezes também fracassamos. Este é o medo da maioria: e se eu não conseguir tudo o que eu quero? Podemos adaptar. Nos contentar com um pouco menos, mas com a certeza de que pelo menos tentamos. O "E se?" é muito pior do que o "simplesmente não era para acontecer".
Viver, viver, viajar, aprender o máximo possível, fazer a diferença nem que seja na vida de uma só criatura, tudo isso a gente pode conseguir. Com a força de vontade, pois quase nada cai no nosso colo; a força pra se reinventar; a resignação para aceitar alguns foras; a liberdade de ser quem se deseja; a ousadia pra enfrentar as críticas que virão disso; e a maturidade pra assumir as próprias merdas, aí, meu caro, é claro que podemos alcançar. Ainda existe muita coisa pela qual vale a pena lutar, pode ter certeza (e olha que eu não sou nenhum modelo de otimismo). Já que não existe nenhum sentido, vamos então criá-lo!





