Tomei um susto, afinal estava no auge da minha distração. A partir deste momento, tudo passou como um flash,mas de forma muito intensa: entre tantas vozes, uma das meninas fala de forma quase cômica com os transeuntes: "Gente, me abraça, por favor!". E eu, que sempre achei esse movimento lindo, me vi dividida entre a vontade de ir lá e dar um abraço, e aquele medo idiota de "o que vão pensar de mim?". Foi quando eu pensei em uma fração de segundo: "ah, fodam-se", fui lá, do nada, e a abracei. E foi uma coisa incrível, pois há algum tempo eu não dava um abraço com tanto coração.
Quando nos afastamos, seguido de um "Feliz Natal", ela comentou: "Você foi a primeira pessoa que veio e me abraçou espontaneamente!". Aquilo me encheu de uma alegria absurda, por um motivo que não sei nem explicar. Após agradecer, eu pedi para tirar uma foto e conversamos um pouquinho. Nos despedimos e continuei meu caminho (abracei outra pessoa um pouco mais tímida) com o humor renovado. Há bastante tempo não sentia uma alegria tão genuína, tão "feliz por nada", como diria o nome do livro de Martha Medeiros. E se eu tivesse dado ouvidos àquela vozinha maldita que me fazia ter medo do julgamento alheio, eu nunca estaria aqui contando isso, e tendo um dia tão bom (apesar do calor).

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