segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

A menina dos Abraços Grátis e como eu quase me deixei levar por besteira



    O que eu vou contar pode parecer besteira para alguns, mas me marcou e fez o meu dia mais bonito. Voltando do banco chateada e com o calor insuportável dessa cidade nas minhas costas (Suíça Baiana aonde?), chego em uma das praças mais movimentadas do centro da cidade. Cheia de hippies que sempre me chamam quando eu nunca tenho dinheiro; um palquinho com alguém desconhecido cantando e uns poucos assistindo; vez ou outra alguma estátua humana e muita, muita gente atrás de um presente de Natal nas lojas dos chineses, eis que me deparo com mais ou menos uma dúzia de pessoas com cartazes escrito "Abraços Grátis".
     Tomei um susto, afinal estava no auge da minha distração. A partir deste momento, tudo passou como um flash,mas de forma muito intensa: entre tantas vozes, uma das meninas fala de forma quase cômica com os transeuntes: "Gente, me abraça, por favor!". E eu, que sempre achei esse movimento lindo, me vi dividida entre a vontade de ir lá e dar um abraço, e aquele medo idiota de "o que vão pensar de mim?". Foi quando eu pensei em uma fração de segundo: "ah, fodam-se", fui lá, do nada, e a abracei. E foi uma coisa incrível, pois há algum tempo eu não dava um abraço com tanto coração.
     Quando nos afastamos, seguido de um "Feliz Natal", ela comentou: "Você foi a primeira pessoa que veio e me abraçou espontaneamente!". Aquilo me encheu de uma alegria absurda, por um motivo que não sei nem explicar. Após agradecer, eu pedi para tirar uma foto e conversamos um pouquinho. Nos despedimos e continuei meu caminho (abracei outra pessoa um pouco mais tímida) com o humor renovado. Há bastante tempo não sentia uma alegria tão genuína, tão "feliz por nada", como diria o nome do livro de Martha Medeiros. E se eu tivesse dado ouvidos àquela vozinha maldita que me fazia ter medo do julgamento alheio, eu nunca estaria aqui contando isso, e tendo um dia tão bom (apesar do calor).

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