Para alguém que está começando a viver os seus sonhos.
Eu, ariana; você, geminiano, foi o que me disse naquele dia em que meus lábios te procuravam, com uma ardência que surpreenderia em uma menina criada para seguir os padrões de comportamento da sociedade. Apesar disso, eu sempre guardei milhões de pensamentos que não ousava colocar em prática, como te disse em uma ocasião. Mas você me ajudou. A me sentir mais livre, mais senhora de mim. A perceber que relacionamentos não precisam de uma etiqueta e de uma regra secular. A quebrar minhas próprias regras, e perceber que existem milhões de formas de se sentir realizada. Quem diria que eu aceitaria com relativa tranquilidade o que você me contou que aconteceu naquela festa louca? Mas graças à sinceridade que dispensamos um ao outro, se tornou realidade.
Aliás, acho que foi o que fez com que tudo desse certo: honestidade. Me surpreendo e fico inacreditavelmente feliz quando percebo o quanto nos aproximamos, a cumplicidade que se formou. A maneira como falamos de tudo sem pudor, de como eu consigo falar as coisas que escondia e não comentava com ninguém. Te conhecer foi (e é) uma experiência fascinante. Quando você me surpreendia e me contava momentos não tão felizes da sua vida, minha vontade era cuidar de você. Te abraçar e dizer que
nada do que aconteceu no seu passado e te deixou marcas foi culpa sua. Que tudo ia ser superado. E vai.
A despeito das marcas que deixei no seu pescoço, nós fomos (e somos) amigos. Não me canso de dizer que você pode contar comigo sempre, mesmo a 1.680 quilômetros de distância. E você sabe que eu falo sério, que mantenho as pessoas na minha vida mesmo de longe, mesmo com as mudanças de caminhos. Achava que esse era um hábito nocivo, mas agora eu sei que não. Parece estranho mudar de opinião sobre algo tão rápido? Pois saiba que eu passei a ver as coisas com um olhar muito mais otimista. Graças, justamente, ao seu olhar sempre doce. À sua maneira incrível de tentar sempre ser uma pessoa melhor, alguém que faça alguma diferença boa na vida das pessoas.
No início tínhamos medo de não dar certo e alguém sair machucado dessa história, lembra? Mas eu te disse que eu ia cuidar do meu coração, independentemente do que acontecesse. Eu sinceramente acho que isso não vai ser necessário, porque só o que posso me lembrar é de coisas boas. Dos nossos momentos às nossas conversas madrugada adentro. Das praças, das esquinas, e da tarde da sua despedida, quando você estava lá deitado quietinho, e acabamos abraçados ouvindo Feist. Preciso te confessar que aquele momento foi uma mistura entre a felicidade de vivê-lo, e a melancolia da partida. Via seu olhar também meio perdido, e me perguntava o que seria. Quando você me contou o motivo, horas mais tarde, minha vontade foi te abraçar. Não dar conselhos, pois não sei sequer o que eu falaria, mas apenas tentar confortar.
Acho melhor parar por aqui. Certos textos a gente escreve como uma despedida. Não quero dar um final concreto a ele, porque o tempo ainda terá muita coisa a acrescentar. Os anos e as novas experiências hão de me dar mais frases para te dizer. Ao vivo ou escritas. A cumplicidade que construímos ainda tem muita coisa a render. Os escritos que eu prometi te mandar; o doutorado até os 30; nossos intercâmbios; nossas experiências... enfim, tudo com o que sonhamos. Ainda há muito sonho, desta vez em prática, para compartilharmos. De longe ou de perto. Depois de todos esses momentos e aprendizados maravilhosos, o que tenho a te dizer é uma frase pequena, mas que eu carrego de uma força enorme: MUITO OBRIGADA, por tudo, e por simplesmente estar aqui.
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