sábado, 1 de junho de 2013

Aquelas polainas



    Eu sempre quis a tal da polaina. Sabe aquelas ideias fixas da infância que insistem em não desaparecer? A minha franja reta da 7ª série (que todos diziam estar linda quando na verdade estava um horror) foi um dos frutos desses desejos. Mas aí eu decidi que queria aquilo, por mais que nas revistas da Avon insistissem em colocar nas fotos apenas crianças usando com sapatinhos da Barbie.
    Tive medo de parecer ridícula. Mas resolvi tomar coragem (porém ainda com um tanto de receio). Usar aquele item diferente implicaria em deixar as opiniões dos outros de lado, fato que sempre foi meio difícil para mim. Mas como boa teimosa que sou, não aceito deixar que meus medos governem a vinha vida. E resolvi comprar um par.
    De cor preta, para combinar com tudo, e bate a dúvida: como usar? Meu primeiro impulso foi procurar no Google aqueles blogs de moda que ensinam a usar até cocô de cavalo de uma maneira "fashionista" e que todos olhariam admirados. Mas já que estava assumindo uma atitude de empoderamento, ao tentar me libertar da opinião alheia, não seria um tanto irônico buscar o "aval" justamente daquelas que criam os padrões de vestimenta atualmente? Não seria, mais uma vez, uma dependência 
dos outros procurar pela maneira mais "aceitável" de se usar uma peça de roupa? 
Eu sequer conheço as moças que escrevem tudo aquilo, e procurava as dicas delas num afã desesperado de sentir que não me olhariam torto, dependendo de como eu usasse o objeto de meu desejo.
    Depois de fechar a guia da pesquisa, percebi que as ferramentas para saber o que é bonito e o que é feio (para mim, óbvio) eu já tenho: um par de olhos e um espelho. Gostar daquela peça de roupa eu já gostava, a única coisa que me impedia de sair por aí, diferente e feliz da vida, era o tal do julgamento, que poderia ser, inclusive, fruto da minha própria cabeça. (e mesmo que não fosse). Depender assim da opinião de gente que nem conhece: isso é justo?

Nenhum comentário:

Postar um comentário