domingo, 2 de junho de 2013

Capitão Gancho

"Se não fossem as minhas malas cheias de memórias
Ou aquela história que faz mais de um ano
Não fossem os danos
Não seria eu
Se não fossem as minhas tias com todos os mimos
Ou se eu menino fosse mais amado
Se não desse errado
Não seria eu
Se o fato é que eu sou muito do seu desagrado
Não quero ser chato
Mas vou ser honesto
Eu não sei o que você tem contra mim
Você pode tentar por horas me deixar culpado
Mas vai dar errado
Já que foi o resto da vida inteira que me fez assim
Se não fossem os ais
E não fosse a dor
E essa mania de lembrar de tudo feito um gravador
Se não fosse Deus
Bancando o escritor
Se não fosse o Mickey e as terças feiras e os ursos pandas e o andar de cima da
Primeira casa em que eu morei e dava pra chegar no morro só pela varanda se
Não fosse a fome e essas crianças e esse cachorro e o Sancho Pança se não fosse o
Koni e o Capitão Gancho
Não seria eu."




    Para os domingos melancólicos e cheios de lembranças.

sábado, 1 de junho de 2013

Aquelas polainas



    Eu sempre quis a tal da polaina. Sabe aquelas ideias fixas da infância que insistem em não desaparecer? A minha franja reta da 7ª série (que todos diziam estar linda quando na verdade estava um horror) foi um dos frutos desses desejos. Mas aí eu decidi que queria aquilo, por mais que nas revistas da Avon insistissem em colocar nas fotos apenas crianças usando com sapatinhos da Barbie.
    Tive medo de parecer ridícula. Mas resolvi tomar coragem (porém ainda com um tanto de receio). Usar aquele item diferente implicaria em deixar as opiniões dos outros de lado, fato que sempre foi meio difícil para mim. Mas como boa teimosa que sou, não aceito deixar que meus medos governem a vinha vida. E resolvi comprar um par.
    De cor preta, para combinar com tudo, e bate a dúvida: como usar? Meu primeiro impulso foi procurar no Google aqueles blogs de moda que ensinam a usar até cocô de cavalo de uma maneira "fashionista" e que todos olhariam admirados. Mas já que estava assumindo uma atitude de empoderamento, ao tentar me libertar da opinião alheia, não seria um tanto irônico buscar o "aval" justamente daquelas que criam os padrões de vestimenta atualmente? Não seria, mais uma vez, uma dependência 
dos outros procurar pela maneira mais "aceitável" de se usar uma peça de roupa? 
Eu sequer conheço as moças que escrevem tudo aquilo, e procurava as dicas delas num afã desesperado de sentir que não me olhariam torto, dependendo de como eu usasse o objeto de meu desejo.
    Depois de fechar a guia da pesquisa, percebi que as ferramentas para saber o que é bonito e o que é feio (para mim, óbvio) eu já tenho: um par de olhos e um espelho. Gostar daquela peça de roupa eu já gostava, a única coisa que me impedia de sair por aí, diferente e feliz da vida, era o tal do julgamento, que poderia ser, inclusive, fruto da minha própria cabeça. (e mesmo que não fosse). Depender assim da opinião de gente que nem conhece: isso é justo?

sexta-feira, 17 de maio de 2013

"Aí eu entendi. Que tudo aquilo que eu tinha construído até hoje, não era mais nada"

    Este é um vídeo antigo (2011, acho) que eu já estava pensando em postar aqui há algumas semanas. Mas como vieram as aulas na faculdade (Psicologia ainda vai me deixar doida, gente! Kkkk) e só hoje eu consegui tempo, tomei vergonha na cara e resolvi vir aqui.
    Não poderia ser em um dia mais significativo. Hoje é Dia Internacional Contra a Homofobia. "Aaaah, esse povo só fala de preconceito, que saco!", você talvez esteja pensando. Mas isto não é apenas sobre preconceito. É sobre se colocar no lugar do outro, e perceber que estar na pele dele/dela pode ser muito difícil, correndo o risco de, a qualquer momento, ser execrado por alguém que ama ou apanhar na rua.
    Nunca me esqueço do dia em que alguém muito próximo me disse que preferia ter nascido diferente. E confessou, inclusive, que em determinada ocasião pensou em tirar a própria vida. Aquilo doeu em mim, saber que alguém que você gosta tanto e torce pela felicidade passa por tanto sofrimento, simplesmente por ser quem é.
    O vídeo (acho que posso chamar de curta) convida justamente à isso: exercitar a empatia. Ninguém precisa concordar, mas RESPEITAR é absolutamente necessário. Ouvir o outro, saber o que ele sente, mesmo que não concorde. Ter a consciência de que você nunca sabe o que se passa dentro de outra pessoa e, justamente por isso, não tem o direito de julgá-la, tolher a sua liberdade. Uma das coisas que eu considero mais lindas são pessoas que, independentemente da religião/religiosidade, respeitam o outro, mesmo em coisas com as quais não concordam, pois sabem que aquilo diz respeito apenas à vida daquela pessoa.
    Eu tenho vontade de mostrar esse vídeo pra todos os amigos que sofrem por esconder quem são, mas creio que todo mundo, de todas as orientações e religiões, deve assisti-lo. Foi esse exercício de pensar "Se fosse comigo, como eu me sentiria?" que me ajudou, e ainda tem me ajudado a desconstruir meus preconceitos e me faz, dia a dia, entender que, se o que o outro faz não prejudica a ninguém, aquilo diz respeito apenas a ele(a). São 18 minutos muito bem aproveitados. Eu chorei o vídeo inteiro, só pra constar. :)



Obs: o título do post foi tirado de uma das falas do vídeo que mais me marcou.



quinta-feira, 2 de maio de 2013

[No Repeat] Cícero canta Barely Legal, dos Strokes

Cícerozinhoinhoinhofofinhotalentosinhocutecute (não me julguem)

    Estou surpresa que eu tenha demorado tanto a descobrir a coletânia This Is Indie, organizada pelo site Rock'n'Beats. Lançada em 2011 em homenagem aos 10 anos de lançamento do álbum Is This It, do The Strokes, a obra conta com vários artistas brasileiros, a maioria pouco conhecida do grande público. Ainda não tenho como dar um parecer sobre o disco completo (pretendo fazer isso outro dia), porque eu estou simplesmente MUITO viciada no cover de Cícero (aquele das músicas extremamente fofas do disco Canções de Apartamento).
   Barely Legal é simplesmente uma das melhores canções do Is This It. E olhe que este é um dos melhores álbuns da década de 90 (na minha leiga opinião, além da de vários críticos, MUAHAHA). Minha vontade, quando a ouço, é sair dançando e gritando que tem uma louca. Só não faço isso porque, bem, geralmente tem gente por perto e eu ainda tenho um pouquinho de dignidade a zelar. :D
   Apesar de mais calminha, o cover de Cícero conseguiu manter toda a "eletricidade" da versão original. Talvez seja apenas o "jeito Strokes de ser", naturalmente cheio de juventude, não importa quão MPB seja o artista que cante aquela música. Está sendo simplesmente impossível escolher entre a versão original e a de Cícero. Por ora, eu fico com a desse rapaz, dono das canções mais lindas que eu ouvi nos últimos meses:



sexta-feira, 26 de abril de 2013

50%, mais um filme subestimado em Hollywood

 

Ontem terminei de assistir um dos filmes mais legais de 2013, senão o melhor (até agora, pelo menos): 50% ou 50/50, que conta a história de Adam, um rapaz de apenas 27 anos que descobre estar com um tipo raro de câncer. Adam é interpretado pelo lindo, fofo e completamente talentoso Joseph Gordon-Levitt (também conhecido como o carinha de 500 Dias Com Ela). Sou meio suspeita para falar dos filmes dele, já que nutro uma paixonite aguda pelo moço, mas nas resenhas do Filmow eu não fui a única a achar 50% uma obra incrível.

Joseph lindo, fofo, meu amô Gordon-Levitt

    É difícil resenhar o filme sem contar detalhes importantes do roteiro, por isso preferi analisar certos pontos que não irão prejudicar ninguém quando assisti-lo. Adam, após descobrir sua doença, conta com o apoio de algumas pessoas, dentre elas o seu melhor amigo. O cara, interpretado por Seth Rogen, é irritante, mas também sabe ser um companheiro e tanto. Outra personagem importante é a analista de Adam, uma jovem inexperiente mas que tenta dar o seu melhor, algumas vezes com pouco sucesso. Ela é interpretada por Anna Kendrick, que fez Crepúsculo e Amor Sem Escalas (quero ver há muito tempo), pelo qual foi indicada ao Oscar.


    Acho que o que me prendeu tanto à 50% foi a simplicidade do roteiro e das atuações. Sem grandes momentos cheios de caretas de dor, como alguns dos "famosões" da Academia; sem belezas arrebatadoras (exceto a namorada de Adam, que faz a nossa alto-estima cair num poço de elevador). Outro ponto importantíssimo foram as sensações que o personagem de Gordon-Levitt (lindo, fofo,nhonhonho... ok, parei a babação de ovo) passava: dava para você sentir a evolução de uma certa depressão no personagem. As emoções dele eram muito palpáveis, apesar de interpretadas quase sempre com discrição. Sabe quando algum conhecido está aparentando não estar bem, mas não fala nada a respeito, apesar de você perceber a tristeza? Era exatamente assim, como se estivéssemos próximos dele.


    Não posso falar mais, para não acabar dando spoiler. Ao final, percebi que 50% é um filme agridoce, que se aproxima bastante do que aconteceria na vida real. Mas tampouco é um filme deprimente. É uma daquelas coisas que você assiste e fica pensando por algum tempo, sem chegar a conclusões "fechadas" sobre os acontecimentos. É por isso que o achei bem parecido com a vida: ele é cheio de nuances.


UPDATE:

    Me lembrei que não coloquei o trailer, parte fundamental para que vocês sintam um gostinho do quão legal é este filme. E no vídeo que está abaixo ainda tem um recadinho do ator/produtor Seth Rogen sobre 50%:






domingo, 21 de abril de 2013

Sobre mudanças, saudades, e tudo aquilo que a gente tem que enfrentar

    Deve ser estranho entrar em um blog que tinha um nome meio (ok, totalmente) sem pé nem cabeça, e descobrir outro, completamente diferente. A razão da mudança é que eu parei de ver sentido no antigo título, "A Vida Secreta das Abelhas". Muitos de vocês provavelmente nunca entenderam o nome, e tenho que confessar que até eu criava uma explicação toda besta para explicar. Tirado de um filme (que nem é um dos meus preferidos), havia escolhido aquele título apenas porque eu gosto de nomes compridos e estranhos: "Como Água Para Chocolate", "Tomates Verdes Fritos", "Desculpa se Te Chamo de Amor". O fato é que essas estranhezas sempre chamaram a minha atenção e me davam vontade de ler/assistir o dito cujo. Daí a colocar uma frase sem sentido no título de um blog que estava começando em 2010, foi um pulo.
   Isto aqui, durante um tempo, foi uma espécie de catarse para mim. Com ele, perdi o medo de mostrar o que eu escrevia, algo que hoje considero muito importante. Já pensei em usá-lo como ferramenta para realizar um suposto sonho de me tornar jornalista (e que hoje nem tenho mais certeza, visto que também adoro o que passarei a cursar em alguns dias) e para alguns outros objetivos que tenho um pouco de vergonha em dizer.
    Mas o tempo passa e hoje, cada vez mais insatisfeita com o rumo para escrever que eu estava tomando; e pensando há algum tempo em mudar o foco disto aqui para algo com mais "entrega" (e deixar de lado a vergonha), resolvo mudar o nome. A razão? Ainda estou pensando. Mas ele agora faz muito mais sentido para mim, e não é nem um pouco reducionista. Liberdade, enfim. "Um Pouco do Tanto" por algum motivo me remete à Leminski, um dos poucos poetas que realmente gosto (desculpa, mundo). E principalmente significa apenas um compartilhamento das pequenas coisas que compõem o muito que a gente (no caso, euzinha) guarda.
    Tenho que confessar que é bem estranho falar desses motivos assim, publicamente. E de maneira muito irônica, eu ainda mantenho um lugar para escrever, mesmo tendo esse bloqueio para falar de mim de uma maneira meio "aberta" (eu sei perfeitamente o motivo disto, mas ele não cabe aqui). Mas essas coisas a gente aprende a lidar, principalmente porque é algo que é necessário enfrentar. Fiquem, então, com o novo nome do meu bebê (pensamento idiota do dia: acabei de imaginar se, caso eu tenha filhos, eu enjoe e tenha vontade de mudar o nome deles, como aconteceu aqui). E até a próxima!



P.s: revisei correndo. Qualquer erro muito absurdo/vergonhoso/ridículo eu conserto depois :P

quinta-feira, 28 de março de 2013

Um balanço de tudo o que a gente viveu

Para alguém que está começando a viver os seus sonhos.

    Preciso começar falando que estou escrevendo este presente para ti enquanto ouço músicas alegres, uma raridade. Mas acho que isso simboliza exatamente como você me fez sentir: feliz. Também é necessário que eu te diga que neste exato momento comecei a chorar. Não se preocupe, é o meu jeito. Despedidas sempre me deixam sensível. Mas este é um sentimento permeado de lembranças e aprendizados absolutamente maravilhosos.
    Eu, ariana; você, geminiano, foi o que me disse naquele dia em que meus lábios te procuravam, com uma ardência que surpreenderia em uma menina criada para seguir os padrões de comportamento da sociedade. Apesar disso, eu sempre guardei milhões de pensamentos que não ousava colocar em prática, como te disse em uma ocasião. Mas você me ajudou. A me sentir mais livre, mais senhora de mim. A perceber que relacionamentos não precisam de uma etiqueta e de uma regra secular. A quebrar minhas próprias regras, e perceber que existem milhões de formas de se sentir realizada. Quem diria que eu aceitaria com relativa tranquilidade o que você me contou que aconteceu naquela festa louca? Mas graças à sinceridade que dispensamos um ao outro, se tornou realidade.
    Aliás, acho que foi o que fez com que tudo desse certo: honestidade. Me surpreendo e fico inacreditavelmente feliz quando percebo o quanto nos aproximamos, a cumplicidade que se formou. A maneira como falamos de tudo sem pudor, de como eu consigo falar as coisas que escondia e não comentava com ninguém. Te conhecer foi (e é) uma experiência fascinante. Quando você me surpreendia e me contava momentos não tão felizes da sua vida, minha vontade era cuidar de você. Te abraçar e dizer que
nada do que aconteceu no seu passado e te deixou marcas foi culpa sua. Que tudo ia ser superado. E vai.
    A despeito das marcas que deixei no seu pescoço, nós fomos (e somos) amigos. Não me canso de dizer que você pode contar comigo sempre, mesmo a 1.680 quilômetros de distância. E você sabe que eu falo sério, que mantenho as pessoas na minha vida mesmo de longe, mesmo com as mudanças de caminhos. Achava que esse era um hábito nocivo, mas agora eu sei que não. Parece estranho mudar de opinião sobre algo tão rápido? Pois saiba que eu passei a ver as coisas com um olhar muito mais otimista. Graças, justamente, ao seu olhar sempre doce. À sua maneira incrível de tentar sempre ser uma pessoa melhor, alguém que faça alguma diferença boa na vida das pessoas.
    No início tínhamos medo de não dar certo e alguém sair machucado dessa história, lembra? Mas eu te disse que eu ia cuidar do meu coração, independentemente do que acontecesse. Eu sinceramente acho que isso não vai ser necessário, porque só o que posso me lembrar é de coisas boas. Dos nossos momentos às nossas conversas madrugada adentro. Das praças, das esquinas, e da tarde da sua despedida, quando você estava lá deitado quietinho, e acabamos abraçados ouvindo Feist. Preciso te confessar que aquele momento foi uma mistura entre a felicidade de vivê-lo, e a melancolia da partida. Via seu olhar também meio perdido, e me perguntava o que seria. Quando você me contou o motivo, horas mais tarde, minha vontade foi te abraçar. Não dar conselhos, pois não sei sequer o que eu falaria, mas apenas tentar confortar.
   Acho melhor parar por aqui. Certos textos a gente escreve como uma despedida. Não quero dar um final concreto a ele, porque o tempo ainda terá muita coisa a acrescentar. Os anos e as novas experiências hão de me dar mais frases para te dizer. Ao vivo ou escritas. A cumplicidade que construímos ainda tem muita coisa a render. Os escritos que eu prometi te mandar; o doutorado até os 30; nossos intercâmbios; nossas experiências... enfim, tudo com o que sonhamos. Ainda há muito sonho, desta vez em prática, para compartilharmos. De longe ou de perto. Depois de todos esses momentos e aprendizados maravilhosos, o que tenho a te dizer é uma frase pequena, mas que eu carrego de uma força enorme: MUITO OBRIGADA,   por tudo, e por simplesmente estar aqui.

segunda-feira, 11 de março de 2013

[Fotografia] Karina Aguiar a.k.a Lola Vegas


(aviso: por frescura do Blogspot  (ou talvez burrice minha - confio mais nesse último) os links não estão funcionando. Peço que os copiem e colem no navegador, enquanto eu resolvo esse probleminha. Muito obrigada, seus lindos!)



*(Um parênteses empolgado: É A MINHA PRIMEIRA ENTREVISTA NO BLOG, GENTE, TÔ TÃO ANIMADA!!!! Pronto, agora eu volto a ser uma pessoa ~~normal~~ e ~~centrada~~)*

    Quem vê as minhas atualizações do Facebook ou tem convivido comigo nesses últimos meses, deve ter percebido o grande interesse por fotografia que eu demonstrei. Na verdade isto foi algo que eu sempre gostei muito (a ponto de ser alugada pelas amigas da minha mãe como a Fotógrafa Oficial das Festinhas de Criança). Mas foi só depois de umas reviravoltas na minha vida, que esse interesse realmente cresceu.

    Na época, cheia de momentos difíceis, a única coisa que me fazia ver um pouco mais de beleza na vida era olhar para a cidade e as pessoas e descobrir ângulos, cores e formas que ficariam lindas quando "congeladas". Daí para pegar a câmera (ou até o celular) foi um pulo.

    Nesse feeling, fiquei com vontade de compartilhar com vocês o trabalho de uma das minhas fotógrafas preferidas, a Karina Aguiar. Ela é do Rio, estuda Direito na UFRJ, e bloga há bastante tempo. A conheci por meio do Kari Read, no qual ela fazia resenhas super divertidas de livros, sempre ilustradas por fotos tiradas por ela. Esse blog se transformou no Opus 21 ( http://opus-21.blogspot.com.br/ ) ,e ela também mantêm o Gaveta Writer ( http://gavetawriter.blogspot.com.br/ ).

    E o que me fez gostar tanto de suas fotografias? Karina foca muito no dia-a-dia, com ângulos lindos de coisas super rotineiras, e sem aqueles filtros vintage que estamos tão acostumados hoje em dia (e dos quais eu sinceramente enjoei). Toda essa realidade mostrada por um olhar único é o que me prende em seu  Flickr ( http://www.flickr.com/photos/lolavegas/ ) . Suas fotografias tem ALMA.

 Lendo uma das postagens do Opus 21 (esta aqui: http://opus-21.blogspot.com.br/2012/12/2012-em-fotos.html ), na qual ela mostra algumas fotos de 2012 com uma pequena descrição do momento; e um dos comentários, no qual um rapaz dizia que aquilo realmente demonstrava toda a arte por trás de uma foto, senti vontade de conversar com a dona daquelas imagens que eu gosto tanto. Saber o que a inspira, o que a motiva, o significado da fotografia na vida da moça. Então fui no Facebook e mandei um recadinho perguntando se ela aceitaria responder algumas perguntas. Super fofa, ela aceitou. Portando, aqui está Karina Aguiar, e algumas das minhas fotos preferidas tiradas por ela (só avisando, foi super difícil escolhê-las, rs).



1 - Karina, primeiramente, muito obrigada pela gentileza em responder essas perguntinhas. Então, conte um pouquinho do que você acha legal nós sabermos sobre você.

Karina: Puxa, Luana, primeiro: obrigada! Eu sou uma fotógrafa iniciante e sem qualquer pretensão de ser famosa nem nada, mas como é bom ter seu "trabalho" reconhecido, né?
Então. Meu nome é Karina, como você já deve saber, e eu vou por Kari Vegas na internet, mas principalmente Lola Vegas. Lola é meu alter-ego desde meus tenros 14 anos, onde algo muito ruim aconteceu comigo - eu fui estuprada. Eu sei que esse é um assunto sério demais pra ser jogado assim, mas acho que diz muito sobre mim.
Na minha cabeça eu sou a Lola. Eu gosto de documentar a minha vida. Gosto da ideia de, um dia, meus filhos terem um grande álbum e verem que eu vivi, apesar de tudo. Documentar minha vida passa mais de um hobby, mas uma questão de sobrevivência.
Eu tenho dois estilos, acho. Eu tenho Transtorno Bipolar (meu Deus, isso tá ficando sombrio!), então eu acho que dá pra ver claramente nas minhas fotos quando estou em crise, e quando estou bem. Acho, de novo, fundamental registrar a minha vida para estudar minha doença e tentar melhorar. E se for na forma da fotografia, minha mais antiga paixão, ótimo!
A fotografia me faz alguém melhor. Ter AQUELA foto maravilhosa depois de passar horas ou até dias só tirando porcaria desfocada e sem sentido... puxa, não sei descrever o quanto é ótimo. Abrir a imagem na tela do computador e mexer com os tons no Photoshop ou no Lightroom, deixando exatamente no clima que eu quero que ela fique: aí está a perfeição.



2- Como a fotografia entrou na sua vida? O que ela significa pra você?

K: A segunda parte dessa questão eu acho que já falei ali em cima, desculpa! Hahaha. A fotografia entrou na minha vida quando minha melhor amiga (até hoje) comprou uma câmera digital de 2 polegadas, lá pra 2005. Nós passávamos os dias tirando trezentas fotos, com a mente criativa que só quem não tem o que fazer tem, hahaha.
 Tirávamos fotos e as mesclávamos umas com as outras e o resultado era incrível. Ter aquele tipo de arte, fazer aquele tipo maravilhoso de arte sem sair de casa era incrível!
Desde então, eu e essa minha amiga fomos dando upgrade em nossas câmeras, quase ao mesmo tempo, e nosso amor por fotografia só cresce cada vez mais.



3- Qual câmera você usa? Recomenda ou gostaria de nos desiludir sobre alguma?


K: Eu uso uma Nikon D3100. Foi minha primeira reflex. Eu tive um caso de amor com ela por 2 anos inteirinhos. Pra mim, ela era meu mundo. Ninguém podia mexer e eu tratava a bichinha como aqueles velhinhos tratam os carros antigos, sabe? Mas como sempre, a vontade de querer mais chegou... Eu recomendo MUITÍSSIMO a D3100 para iniciantes. Não compre uma cheia de coisas se você está começando agora.
Eu quero, de verdade, uma EOS 5DMark II. Meus amigos Nikonseiros me matariam se soubessem, mas essa câmera é um wide-angle e tudo nela parece cheio de vida (vide as fotos da IrenaS, que eu cito mais embaixo). Mas ela é cara, cerca de 5 mil reais. Porém, é meu sonho de consumo mais-mais no momento.



4- O que te inspira na vida? E na arte, no geral (autores, outros fotógrafos, séries, filmes, livros, dentre outros)?



K: O que me inspira... difícil. Eu diria que, acima de tudo, a Sofia Coppola. Se eu tivesse o olho dela, eu morreria de felicidade, hahaha. Os filmes da Sofia são absolutamente meus favoritos. Maria Antonieta nem se fala! Encontros e Desencontros é meu sonho fotográfico. Se eu dia minhas fotos parecerem com a alma do filme, puxa vida. Eu já disse que morreria de felicidade, né? Hahaha. O mais novo dela, Somewhere, é extremamente experimental em relação à fotografia. É magnífico. É totalmente documentário-fictício. Têm cenas que ela simplesmente segue um personagem por uma festa - algumas pessoas podem achar isso entediante, mas eu acho lindo.



  •  O Sean Marc Lee
  • .
  • A   Rebekah Campbell ( http://www.flickr.com/photos/campbell_kallye21/ )
  • .
  •  A  IrenaS ( http://www.flickr.com/photos/irenesuchocki/ ) (Maravilhosa, maravilhosa!).
  • O  Buiu ( http://www.flickr.com/photos/buiu/ (amo de paixão, quero casar, etc).
  • E o  Marcelo Camelo ( http://www.flickr.com/photos/marcelocamelo/ )Sim, o Hermano! :)



  • 5- Quais são os seus temas preferidos para fotografar?

    K: Pessoas. Amo, amo de paixão fotografar pessoas, simplesmente fazendo o que elas estão fazendo - nada de pose. Além disso, gosto muito de fotografar o que está a minha volta, no meu ambiente. Não gosto de fotos de paisagem, nem urbanas.


    6- A fotografia te ajuda, de alguma forma, a resolver as questões da sua vida, seus problemas e dúvidas?

    K: A fotografia me ajuda MUITO. Eu vou enumerar para conseguir falar tudo, certo? Hahaha.
    1) Fotos bonitas me deixam feliz. Eu tenho Transtorno Bipolar, como eu disse, e grande parte do meu tempo eu estou seriamente deprimida. Então quando eu tô mal, simplesmente entro no Flickr e nos blogs dos meus fotógrafos favoritos e deixo meu coração ter um tempo com todas aquelas fotos bonitas.
    2) Eu não publico 90% do que tiro. Como eu disse, eu gosto de documentar, mas as vezes isso é levado meio ao extremo, hahaha. Tenho muitas fotos de hora por hora do dia, quando eu acordei muito triste e sem vontade de ver o céu, até de noite, com uma cara melhor. Isso é fundamental para meu tratamento. Salomão uma vez disse "This, too, shall pass." , e vendo essas fotos eu me acalmo e percebo que ele era realmente o homem mais sábio que já existiu, segundo os ensinamentos hebraicos. Ver meu rosto, meu humor e meu coração mudarem durante um dia, ou então durante a semana, sempre ficando melhor no final (em algum ponto), me faz ter esperança. De que eu tô mal, mas vai passar.
    3) A fotografia me faz ter um olhar aguçado. Eu comecei a olhar o mundo como se eu olhasse de trás da câmera. Tudo de um ângulo bonito e percebendo cada detalhe que, normalmente, eu não perceberia: uma fruta estragada no chão, mas ali está uma borboleta linda. O sol se pondo e os incríveis tons de rosa. O ângulo de tudo - eu virei uma ângulo freak, tudo precisa estar sempre alinhado com o horizonte. Meu quarto ficou organizado, porque eu comecei a angular tudo. Meio doido, né? Hahaha. Mas me ajuda a clarear a mente.


    7-  Além de fotografar, o que mais você gosta de fazer?

    K: Eu gosto muito de escrever. Tenho 2 contos concorrendo a duas antologias. Eu estou sempre escrevendo, é bem maior que eu hahaha.



    8- Quais são os seus planos para o futuro? 

    K: Viver.


    Karina: Obrigada de novo, Luana, por me mandar essas perguntas. Respondê-las me fez um bem que você não faz ideia! Obrigada também por gostar das minhas fotos. Saber que existe pelo menos uma pessoa que acha minhas fotos bonitas. Isso traz alegria ao meu coraçãozinho fodido. :)



    Karina, quem tem que agradecer sou eu, pela gentileza em responder essas perguntas, 
    mesmo sem me conhecer, e também por aguentar a minha enrola para postar! Hahaha. Espero que tudo corra da melhor maneira possível, e que quando você for mostrar o álbum da sua vida para seus filhos, olhe para as fotos e percebe e quanto viveu e, principalmente, foi FELIZ. Tudo de bom pra você! *----*

    E aqui vão mais algumas das imagens lindas que ela produz:
























    Outros links:




    domingo, 10 de março de 2013

    [No Repeat] 93 Million Miles - Jason Mraz

        Pra terminar o fim de semana feliz, uma música linda-fofa-tudibom desse cantor incrível e do sobrenome impronunciável.




        Boa semana!

    segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

    Não sei nem como nomear


        Eu prometi pra mim mesma que não iria escrever sobre isso. O motivo eu não sei ao certo. Talvez não me sentisse preparada o suficiente para me expressar sobre uma tragédia dessa dimensão, eu que nunca escrevi e divulguei algo que não dissesse respeito aos meus sentimentos e as coisas que fazem parte do meu cotidiano.
        Mas dessa vez não me contive. Sabe quando você sente uma melancolia, uma tristeza que vai e vem, e sabe que só escrevendo aquilo vai te deixar em paz? Alguns vão me entender. Nunca fui uma pessoa de me abalar a esse ponto por uma tragédia. Fico pesarosa, triste por um tempo e pensando na efemeridade da vida, mas aquilo logo me abandona e eu volto à minha vidinha normal. Mas não dessa vez.
        As notícias do incêndio chegaram até mim logo de manhã. E no período da tarde, fiquei por umas quatro horas lendo cada publicação do Zero Hora e do Diário de Santa Maria. Em uma delas, haviam nomes de feridos. E eu, meio imprudentemente, usando das minhas habilidades de stalker, fui procurá-los no Facebook.
        Achei o perfil de alguns. Vi aquelas fotos de algumas moças lindas, um rapaz com um bebê, outros que adoravam malhar e postavam imagens na academia. Todos sorrindo, naquelas fotos que sempre postamos nas redes sociais e para as quais fazemos toda uma preparação. Todos tão iguais a nós. Porque podemos afirmar o contrário, mas nós jovens somos meio padronizados na internet. E principalmente na vida.
        Porque aqueles jovens eram universitários. E nós sabemos o quanto estamos ralando pra entrar em uma faculdade. Eles estavam numa daquelas festas que a maioria de nós adora. E saíram de casa pensando no máximo nas pessoas interessantes que poderiam estar lá ou na ressaca do dia seguinte. Assim como nós fazemos, com pequenas variações, por mais que insistimos em negar isso.
        Esse texto já está enorme, mas é simplesmente tanta coisa pra tentar engolir em um dia só... Como aquela história do pagamento das comandas. E uma única saída de emergência. Um alvará vencido. Um show de pirotecnia muito mal executado. Uma sucessão de erros, de irresponsabilidades e falta de humanidade. Aqueles pequenos “acasos” que resultaram em uma catástrofe.
        Só consigo pensar nos depoimentos de bombeiros sobre os celulares tocando no peito das vítimas; um deles com 104 chamadas perdidas da mãe. Na moça do jornal que disse que suas 3 colegas de república estavam na festa, e ela só pôde localizar uma delas. Uma coisa tão corriqueira, como as pessoas com quem você mora para fazer faculdade, se transformar em uma lembrança tão amarga.
        Algumas pessoas na boate correram para os banheiros achando que ali haveria saída. Olhando o mapa do local, percebi que eu faria o mesmo em uma situação de desespero. Também sou uma pessoa pequena, e em um tumulto, seria facilmente deixada para trás. E todas aquelas mães que, como as nossas, se preocupam quando um filho sai à noite? Não quero nem imaginar a dor delas, porque imagino minha própria mãe, que sempre confia em me deixar sair para voltar de madrugada, por mais que eu já tenha feito besteira em uma dessas vezes.
        Talvez tudo isso tenha ficado confuso demais. Mas é assim que eu estou. É simplesmente muito difícil pensar claramente na situação. Minha cabeça dá voltas em todas as informações tristes, e não consegue, talvez nem queira, encontrar um culpado (que é o que eu geralmente faço). Só queria que tantas dores cessassem; que uma borracha fosse passada para que essa festa não tivesse acontecido; tivessem saídas de emergência decentes; o cara da banda não tivesse sido burro a ponto de acender um sinalizador num lugar fechado; que o dono da Kiss fosse alguém de mais responsabilidade. Qualquer coisa que evitasse que esses jovens, que poderiam ser eu ou você, estivessem vivos, e essas mães, que poderiam ser a minha ou a sua, não estivessem chorando.

    sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

    E se o dinheiro não existisse???

         Eu adoro esses vídeos que nos fazem enxergar a realidade por outro ângulo. Que incomodam. E se provocam essa sensação, é porque tem alguma coisa muito importante contida neles. Há algum tempo eu venho pensando muito em toda essa história de consumismo, justamente porque há algum tempo eu tento comprar as coisas de maneira mais consciente, embora nem sempre consiga. Outro fator que me fez identificar muito com o vídeo, foi à menção às escolhas profissionais.
        Já passei e continuo passando por essa época infernal chamada "Vestibular" e todas as pressões que vêm daí. Vejo colegas e amigos que escolhem um curso com o qual se identificam, mas não tem certeza se é aquilo mesmo que querem. Outros que sofrem uma pressão absurda para fazer algo mais "reconhecido" e bem remunerado, como medicina. Ou ainda a eterna dúvida entre mais de um curso.
        O dinheiro é o fator que mais leva as pessoas a escolherem determinada carreira, sendo bem sincera. E o vídeo lança a pergunta: "E se o dinheiro não existisse, o que você faria?". Vale a pena assistir. Incomoda, faz pensar, e quem sabe não nos incentiva a tentar mudar alguma coisa.